Entrevista com Roberto Kuelho no site Feirenses

Entrevista revela segredos do cantor

O site feirense fez uma grande entrevista falando sobre Roberto Kuelho na vida artística e pessoal. Confira este trabalho bem elaborado do jornalista Danilo Ferreira e equipe do site Feirenses. 

Entrevista com Roberto Kuelho 

Roberto Kuelho é um dos mais populares artistas de Feira de Santana, conhecido por sua atuação em diversos campos: é cantor, compositor, blogueiro, radialista, produtor e assessor de imprensa. Fez sucesso em todo o Brasil com o irreverente e satírico grupo Xêro Mole, do qual era vocalista.

Kuelho conversou conosco sobre seu novo disco, o SenseBulir, trabalho solo que possui uma roupagem distinta do que caracterizou sua música até aqui. Com 39 anos de idade e 15 de carreira, Kuelho também falou sobre o cenário cultural de Feira de Santana e sobre as composições que já fez para nomes da música baiana como Harmonia do Samba, É o Tchan, Terra Samba e outros.

Leia e assista ao vídeo (os conteúdos são complementares):

Feirenses: Queremos começar falando um pouco da sua infância… 

Kuelho: Isso é interessante… Eu sou filho adotivo. Nascido no Tomba e tem uma história muito louca, que quando eu era novo, a minha mãe com dificuldade financeira acabou me dando pra outra família. E essa outra família me criou e tal, e todos os laços afetivos eu acabei criando com essa outra família. E a partir daí eu fui morar em Humildes. Estudava lá, e foi aí que começou minha vida artística. Primeiro eu tentei no desenho, meio que sem sucesso, depois eu comecei na poesia, até que um amigo meu musicou uma poesia minha. Aí eu pensei: “caramba… tem isso aí, né? Poesia pode virar música. Aí eu comecei a fazer música. Esse foi meu encontro com a arte, e dele nunca mais me separei.

Feirenses: Você tinha quantos anos quando esse contato com a arte aconteceu?

Kuelho: Na verdade, o primeiro contato de verdade foi aos 10 anos, quando eu ganhei um livro de poesia de Nailton Moura, um poeta de Amélia Rodrigues, e quando eu ganhei esse livro dele, chamado Transmutação, eu percebi que o amigo de meu pai (Nailton) publicou esse livro aí melhorou minha questão do poder fazer: “se ele pode, ele é amigo do meu pai, trabalha com meu pai e pode fazer um livro, eu também posso”. A partir daí eu fiz um livro de cordel, porque meu pai tinha muito cordel em casa. Aí meu pai mostrou esse cordel pra Nailton, e ele falou “caramba, que legal! Seu filho é bom nisso… Traz aqui pra eu conhecer”. Aí pronto! Eu que virei o melhor amigo do amigo de meu pai. E até hoje a gente se fala, e tal… Ele hoje mora aqui em Feira. Ele foi inspiração pra que eu escrevesse.

Eu me lembro de cenas assim da minha infância de comícios políticos lá em Humildes, em que eu tava nos palanques políticos e já fazia um relativo sucesso. Eu lembro que eu com dois microfones, nos trios elétricos falava: “Meu Governador João Durval… Já tá confirmado, aqui em Feira de Santana não tem Paulo Souto nem pau amarrado!”… Fazendo rima de cordel com os políticos.

Feirenses: Você um multitalentos… humorista, blogueiro, radialista, cantor, compositor, músico… Como concilia tudo isso?

Kuelho: Se você perceber, todas essas funções estão muito atreladas uma à outra. Quando algo está desafinando muito do meu campo de atuação, eu não fico. Você tem o jornalista, que tá colado com o blogueiro, que tá colado com a assessoria que eu faço de algumas bandas, que tá atrelado à música… Sempre tem que estar uma coisa atrelada à outra. Nunca, por exemplo, pensei em colocar uma loja de sabão, porque ficaria distante… Mas o resto está muito atrelado. Por exemplo, no rádio eu procuro fazer jornalismo mais cultural, dentro do entretenimento. Sempre assim.

Feirenses: É muito difícil lhe ver sério, pra baixo. Você geralmente está sorrindo e brincando. Existe essse Kuelho mais sério?

Kuelho: Existe! O que me deixa chateado são as injustiças. As humilhações. Mas eu aprendi também a sublimar… O que é sublimar? Você tem um problema e você não tem a solução, não vale a pena se chatear com isso. Por exemplo: na banda, quando eu tinha o Xêro Mole, a gente tinha uma regra: a gente só podia dizer que um arranjo estava ruim se a gente tivesse um melhor. “Ah… Esse arranjo tá uma merda!”. Você tem um melhor? Não… Então esse é o bom. Isso livrava um monte de problema.

Certa feita eu tava numa clínica com minha ex-companheira e ela estava fazendo um exame. E quando eu levei ela na sala, roubaram meu carro. Quando eu volto, não tava mais o carro. Peguei o celular dela emprestado, liguei pra polícia, liguei pros amigos, liguei pra todo mundo, voltei e sentei do lado dela. Quando terminou, ela dilatou pupila, fez tudo, ela falou: “vamo embora!”. Eu disse: “espera um pouquinho que um amigo vai dar uma carona pra gente”. Ela perguntou o porquê, eu expliquei e ela: “como assim roubaram o carro e você não fala nada!?”… Mas seu eu falasse eram dois problemas: tinha o carro roubado e ela não ia fazer o exame. É melhor só ter um! Agora também eu não posso ser falso comigo… No final do dia fiquei revoltado, só faltei chorar.

Feirenses: As pessoas ainda lhe vinculam muito ao Xêro Mole. Você se incomoda com isso?

Kuelho: Me incomoda não poder corresponder. Não há previsão de voltar o Xêro Mole. Não há nem ideia de voltar. Agora eu tenho consciência que tenho que conviver com isso. Tanto que esse outro trabalho que eu tou fazendo, não tenho pressa de fazer show. Preciso que as pessoas assimilem essa nova etapa de vida de Kuelho. Eu tenho que ter paciência com as pessoas. Pra isso eu uso Antoine Saint Exupéry: “tu te tornas responsável por tudo que cativas”. Então, se eu cativei essas pessoas, eu tenho obrigação de respeitar o querer delas.

Clique aqui e veja a entrevista completíssima no site Feirenses 


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